Fariseu
Os fariseus foram um movimento religioso e político judaico ativo durante o período do Segundo Templo (c. 516 a.C.–70 d.C.). Distinguiam-se pela interpretação rigorosa da Torá, pela crença na ressurreição dos mortos e na existência de anjos, e pela valorização da tradição oral. Nos Evangelhos, aparecem frequentemente em debate com Jesus, mas nem todos eram hostis a ele.
Quem eram os fariseus?
Os fariseus formavam uma das principais correntes do judaísmo no período intertestamentário e no tempo de Jesus. Originaram-se provavelmente no século II a.C., como um movimento de leigos e escribas dedicados à observância minuciosa da Lei de Moisés. Diferenciavam-se dos saduceus por aceitarem a ressurreição, anjos e a autoridade da tradição oral. Após a destruição do Templo em 70 d.C., suas crenças e práticas influenciaram fortemente o judaísmo rabínico.
O que os fariseus acreditavam?
Os fariseus defendiam a autoridade tanto da Torá escrita quanto da tradição oral, que interpretavam como complemento necessário para aplicar a Lei. Criavam na ressurreição dos justos, na existência de anjos e demônios, e na providência divina combinada com o livre arbítrio humano. Enfatizavam a pureza ritual, o dízimo e a observância do sábado. Também esperavam a vinda de um Messias, embora não houvesse consenso sobre sua natureza ou data.
Qual era a relação dos fariseus com Jesus?
Nos Evangelhos, Jesus frequentemente confronta os fariseus, criticando sua hipocrisia e ênfase excessiva em tradições humanas em detrimento da misericórdia e justiça (Mateus 23). No entanto, nem todos os fariseus eram hostis: Nicodemos, por exemplo, procurou Jesus à noite (João 3) e, após a crucificação, ajudou a sepultá-lo (João 19). O apóstolo Paulo também se identificava como fariseu antes de sua conversão (Filipenses 3:5). A relação era complexa, com debates teológicos e conflitos de autoridade.
Como os fariseus são retratados no Novo Testamento?
O Novo Testamento, especialmente os Evangelhos sinóticos, apresenta os fariseus como opositores frequentes de Jesus, acusando-o de violar o sábado e de se associar com pecadores. Eles são retratados como zelosos da Lei, mas também como hipócritas que colocavam fardos pesados sobre o povo. Atos dos Apóstolos mostra alguns fariseus convertidos ao cristianismo, como Paulo e membros da igreja primitiva. A imagem neotestamentária reflete tanto a tensão histórica quanto a perspectiva teológica dos autores.