Deuterocanônico
Deuterocanônico é um termo usado para designar livros ou partes de livros bíblicos que são considerados canônicos por algumas tradições cristãs (como a Igreja Católica e a Ortodoxa), mas que não constam no cânon hebraico (Tanakh) e são chamados de apócrifos por outras tradições (como a maioria das igrejas protestantes).
O que significa o termo deuterocanônico?
A palavra deuterocanônico vem do grego e significa segundo cânon. Foi cunhada no século XVI para distinguir esses escritos dos protocanônicos, que são os livros aceitos por todas as tradições cristãs. O termo não aparece na Bíblia, sendo uma classificação teológica posterior para lidar com divergências históricas sobre a extensão do cânon bíblico.
Quais livros são considerados deuterocanônicos?
Os principais livros deuterocanônicos são Tobias, Judite, Sabedoria de Salomão, Eclesiástico (ou Sirácida), Baruque, 1 e 2 Macabeus, além de acréscimos a Ester e a Daniel (como a história de Susana e Bel e o Dragão). Esses escritos foram compostos originalmente em grego ou hebraico e datam do período intertestamentário.
Por que há divergências sobre esses livros?
A divergência decorre de diferentes critérios de canonicidade adotados por comunidades judaicas e cristãs. O cânon hebraico, fixado provavelmente no final do primeiro século d.C., não incluiu esses livros. A Igreja Católica, no Concílio de Trento (1546), reafirmou sua canonicidade, enquanto a maioria dos protestantes, seguindo a Reforma, os considera úteis para edificação, mas não autoritativos para doutrina.
Qual a importância histórica dos deuterocanônicos?
Historicamente, os deuterocanônicos fornecem informações valiosas sobre o período entre o Antigo e o Novo Testamento, incluindo a resistência judaica ao helenismo (1 e 2 Macabeus) e o desenvolvimento da teologia da sabedoria (Sabedoria de Salomão). Embora não sejam citados diretamente no Novo Testamento, sua influência é perceptível em temas e expressões neotestamentárias.